quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Pico do Corcovado de Ubatuba - 3ª subida.

da esquerda para direita Thiago Araújo, Carol, Tiago Souza,
Robinson, Vivi, Eu, Luci, Diana e Vinicius. Foto: Luci

E novamente estávamos de partida para o Pico do Corcovado em Ubatuba, desta vez a turma era composta por eu, Vivi Mar, Diana Souza, Caroline Pedretti, Tiago Souza, Thiago Araujo, Robinson, Luci Rod e Vinicius.
Como de costume combinamos de dormir no campo de futebol na sexta e começaríamos a trilha no sábado o mais cedo possível. Como cada carro saiu em diferentes horários partimos eu, Vivi, Vinicius e Luci chegamos à cidade de Ubatuba e às 20h30 chegamos na Cidade de Caraguatatuba. Famintos, paramos para comer na primeira pizzaria que encontramos. A larica da galera era enorme e ninguém se preocupou se o lugar era bom ou não. Pedimos meia pizza de carne seca com queijo, cuja carne parecia frango e a outra metade de tão boa eu nem lembro o sabor.
Após essa “maravilhosa” pizza, seguimos para a praia dura. Chegamos ao local e não tinha ninguém acampado. Montei minha barraca e logo a Vivi entrou para invernar, enquanto eu apreciava a lua que iluminava todo o contorno da serra do mar inclusive o cume do corcovado.
Não tardei a sentir e me recolhi para o aconchego de meu saco de dormir e peguei no sono sem dificuldades. Acordei somente pela manhã e após um chamego na Vivi, sai da barraca para conversar com os demais. Após todos ajeitarem suas cargueiras, partimos rumo à trilha.


Seguindo pela estrada uns 200 metros depois do campo de futebol, viramos à direita, passamos pela ponte improvisada de madeira e viramos na primeira picada a esquerda. Está errado! Cometi o mesmo erro do ano passado. Igualzinho, não instalei o tracklog no GPS confiando que eu lembrava o caminho, mas novamente entrei no mesmo local e ficamos procurando a trilha por 30 minutos, pois eu jurava que a trilha estava por ali. Na verdade, aquilo era um plano para abandonarmos este objetivo e ir para o saco das bananas fazer uma trilha beira mar hahaha. Brincadeira galera! Minha teimosinha fez com perdêssemos esse tempo todo procurando a trilha. Mas ainda bem que a Diana lembrou o caminho e seguimos nosso rumo.
corte ilegal de árvore?
Depois da ponte improvisada, entre na segunda trilha a esquerda, a primeira leva a lugar nenhum.
Uma vez na trilha certa, seguimos cada um em seu ritmo de caminhada. Enquanto a subida não apertava, todos praticamente andavam juntos. Porém só foi a inclinação aumentar e o grupo foi se dividindo.
Ao passarmos pelo ponto de água no começo da subida, constatamos a cachoeira estava seca e ficamos preocupados se haveria água mais acima, na dúvida todos encheram suas garrafas com a água empoçada na cachoeira, já que ao menos serviria para cozinhar. Depois deste trecho é que a subida começa de verdade.
 Eu e Tiago Souza chegamos ao primeiro mirante também conhecido como a igrejinha de pedra, com hora e meia de caminhada. Como tínhamos dúvidas se teria água no ponto que fica na casa dos 750 metros de altitude, decidimos fazer nosso lanche ali mesmo.
Enquanto comíamos uns arriscavam alcançar o topo da igrejinha num pequeno lance de escalada, agora facilitado com uma corda. No topo da igrejinha de pedra dá para ter uma visão da praia dura a frente e do corcovado trás.
O pico visto da crista
 Após cada um destruir o que trouxe, seguimos rumo ao cume da montanha. Devido a problemas particulares, este ano a temporada de montanha não foi muito proveitosa e, além disso, também não estou treinando direito. Por isso, segui para o ponto d’água um pouco cansado e sabia que dali até o topo da serra a subida ficaria cada vez mais íngreme.
Sem precisar o tempo de caminhada, cheguei à clareira que dá acesso ao ponto d’água e desabei cansado. Como não sabia se teria água naquele ponto do rio, já que mais abaixo estava completamente seco, não me preocupei em ir até o ponto do precioso líquido.
Fiquei por um tempo em silêncio recuperando o fôlego para seguir a diante, quando ouço um inconfundível som de água caindo em uma laje de pedra. Aquele som entrou como fortificante em minha mente, pois pulei e sai correndo para verificar... e lá estava ela correndo morro abaixo.
Aproveitei para matar toda a minha sede com aquela água geladinha, pois vinha economizando em toda subida. Decidi esperar os demais e contar a eles, pois pensei que aquele monte de tagarelas passariam por ali fazendo tanto barulho que não ouviriam o som do precioso líquido.
Fiquei deitado até que todos foram chegando, fizemos mais uma pausa de 20 minutos. Como não queria ficar parado por muito tempo, recomecei a caminhada sozinho.  Este trecho da subida é o pior que o outro, já cansado tive que parar por duas vezes para recuperar o fôlego e relaxar as pernas.
acampamento no cume. Foto: Tiago Souza
Finalmente, depois de 40 minutos do ponto d’água, cheguei à clareira na crista da serra que leva ao cume do Corcovado. Novamente parei para respirar e meditar um pouco. Um pouco antes de voltar a caminhar, deitei naquele gramado e fiquei apreciando a lua que brilhava junto com o sol naquele dia lindo de inverno.
Sem demorar muito, segui pela crista, numa caminhada bem agradável, dando um alívio enorme as pernas, mas não se engane, pois a subida não acabou já que tem o ultimo trecho de escalaminhada. Ao me aproximar da base do pico rochoso, descansei por dois minutos e comecei a subir. Já cansado parei novamente duas vezes para respirar até que depois de 5 horas de caminhada (com as pausas) cheguei ao cume do Corcovado.
Ao apreciar toda aquela beleza, novamente constatei que cada suor derramado na trilha valeu cada esforço que fiz. No falso cume, já haviam três pessoas acampadas em duas enormes barracas. Por isso, preferimos acampar apertado no cume.
Fiquei por um bom tempo esperando a galera jogado na grama, como ninguém chegava, comecei a ficar preocupado e fui até face sul do corcovado para ver se alguém já estava passando pela crista.
Ilha Bela 
No primeiro assovio que dei a minha menina gritou da crista dizendo que a Diana tinha travado na subida. Enquanto esperava pela chegada da Vivi para que me contasse os detalhes do ocorrido, lembrei que a Diana já tinha chegado ao ponto d’água sentindo alguma coisa no joelho ou no músculo da coxa.
Ao chegar ao meu encontro, a Vivi contou que ela sentiu câimbras em ambas as pernas e não conseguia andar, tendo que passar seu peso para os demais e entregando sua mochila para o Tiago Souza, que bravamente chegou ao cume com duas mochilas. Em tempo, a Vivi colocou todo o peso da mochila da Diana em sua cargueira e saiu correndo na trilha para encontrar com os demais e pedir ajuda.
Após todos chegarem, fomos armar nosso acampamento no cume. Conseguimos montar 6 barracas, por isso não sobrou muito espaço para todos cozinharem. Mas logo abaixo do cume, na face sul, tem uma área bem melhor para preparar nosso jantar.
Como não poderia deixar de ser, o jantar foi aquele banquete. Para começar, eu e Vivi, preparamos um delicioso fondue de queijo. Tiago Souza começou com uma bela salada de pepino, cenoura, ervilha e milho. Depois preparou um arroz carreteiro. Já o Thiago Araujo foi de comida e um frango vapza para melhorar a refeição. Como não poderia deixar de ser, tudo regado a vinho, conhaque com mel e pinga nega fulo.
Após todo o banquete, deitei cansado em minha barraca e nem vi a dona Vivi entrar  e só acordei com o grito de alvorada no dia seguinte.
Cachoeira de nuvens Foto Thiago Araújo.
O amanhecer estava magnífico, a região do topo da serra estava coberta por nuvens que após o nascer do sol despencavam pela serra formando uma cachoeira de nuvens.
Não demorou muito para nossos estômagos darem o alerta de fome e fomos preparar nosso café da manhã. A Vivi preparou ovos mexidos com queijo, bacon e costelinha defumada de porco. Depois de saborear toda a minha parte, ainda ganhei um lanche de rap10 com provolone e salame da Carol. Após cada um tomar o seu café, desmontamos acampamento e as 8h30 iniciamos a decida e em 3 horas de caminhada já estávamos no campo de futebol. Depois de jogar nossas cargueiras no carro, partimos para a praia da Mococa e aproveitamos uma bela tarde domingo com sol, pois ninguém é de ferro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário